Se é gorda, não serve. Se é magra demais, não serve. Se é baixinha, ela não te alcança. Se é alta, fica feio. Se é gostosa, é fútil. Se não tem peito e bunda, é reta. Se é nerd, é chata. Se não é estudiosa, é burra. Se tem ídolos, é infantil. Se não tem, nunca vai ser nada, porque não tem em quem se espelhar. Se fala “eu te amo” toda hora, é falsa. Se não fala “eu te amo”, é fria. Se é fechada, é... sem papo. Se se aproxima, fala demais. Se sorri demais, é mentira. Se chora demais, é exagero. Se é rico, é metido. Se é pobre, é coitado. Se é engraçado, quer se mostrar. Se é quieto, é sem graça. Se beija demais, não sabe se respeitar. Se não beija todo mundo, é idiota. Se tem tatuagens/piercings, é revoltado. Se não tem, é sem personalidade. Se ultrapassa as regras, não tem postura. Se não ultrapassa, é certinho. Se não fala, é antipático. Se fala, está afim. Então, seja o que você quiser. Nada vai estar bom para a sociedade mesmo.
Ativista Social & Politico é um blog dedicado a compartilhamentos de ideias sobre questões sociais.
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
A doenca do LuLa
Texto: Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do
Instituto Vox Populi
Existem dois cenários a considerar na discussão
sobre as consequências políticas da doença de
Lula.
O primeiro decorre do que dizem seus médicos,
que é um tumor de gravidade média,
diagnosticado precocemente e com perspectiva
elevada de cura. Segundo eles - os únicos que
conhecem o caso em primeira mão -, o ex-
presidente deve concluir o tratamento até março,
sem sequelas significativas.
Se isso se confirmar, a doença não terá qualquer
consequência. Em pouco tempo, ninguém vai nem
se lembrar dela.
O segundo cenário poderia ocorrer se o
diagnóstico inicial tiver sido otimista ou se não for
verdadeiro. A equipe médica pode descobrir que a
doença é mais grave ou que o organismo de Lula
não reage como esperado, o que a levaria a
modificar o prognóstico favorável. Ou pode estar
ocultando avaliação pessimista, por algum motivo.
Não há razão para supor que esteja em curso uma
“conspiração” para escondê-la , embora existam
casos, no Brasil e no resto do mundo, de políticos
que silenciam a respeito de seus problemas de
saúde e os apresentam de maneira falsamente
tranquilizadora. E que encontram juntas médicas
dispostas a participar da encenação.
Como a medicina não é uma ciência exata, ela não
fornece a certeza de cura. Bons médicos fazem, no
máximo, bons cálculos das chances de
recuperação.
Pelo que dizem os do ex-presidente, as suas
seriam de algo entre 80 e 90%. Quem conhece
estatística, sabe que essa é uma margem de
segurança muito confortável. Se estivéssemos
lidando com eleições, por exemplo, dizer que uma
pessoa tem 80% de possibilidade de vencer
equivale a considerá-la eleita.
Admitamos, no entanto, que Lula se aposentasse.
O que aconteceria?
A administração federal continuaria a ser o que é,
com os alcances e problemas conhecidos. O
governo não pioraria ou melhoraria. O
desempenho objetivo de suas principais políticas
não seria afetado, para o bem ou para o mal.
A vasta maioria que aprova o que Dilma e seu
governo fazem não aumentaria, mas não
diminuiria. A parcela que desgosta tampouco seria
modificada. Ou alguém acha que o Bolsa Família,
por exemplo, passaria a ser rejeitado por quem o
aplaude ou a ser aceito por quem o repele?
Na política, temos dois grandes eventos no
calendário, as eleições municipais de 2012 e a
sucessão presidencial, em 2014. Há quem ache
que, se Lula se aposentasse, o PT enfrentaria
grandes dificuldades ano que vem.
Sua atuação como cabo eleitoral é, certamente,
bem-vinda por qualquer candidato. Tê-lo no
palanque é sempre bom (tanto que, na última, até
os oposicionistas queriam mostrar-se próximos).
Daí, no entanto, a imaginar que seja decisivo, há
uma distância.
Em 2008, com ele na Presidência, o PT ganhou em
muitas cidades (559, cerca de 10% do total) e
perdeu em diversas outras (incluindo capitais
importantes, como São Paulo). Lula pediu votos
para candidatos que venceram e para outros que
foram derrotados. Talvez tenham existido, mas não
foram muitas, as cidades onde a vitória de um
correligionário (ou aliado) pode ser-lhe atribuída.
E a eleição presidencial?
Hoje, o PT tem dois nomes. Lula, não se precisa
demonstrar, seria dificílimo de bater. Dilma,
mantida a avaliação atual, uma candidata muito
forte (especialmente se lembrarmos que sua
principal limitação em 2010, o desconhecimento,
não será problema em 2014).
O PT teria, portanto, duas opções de candidatura,
eleitoralmente equivalentes: ambas com alta
probabilidade de vencer. Ainda mais pelo desgaste
dos nomes nacionais da oposição (FHC e Serra) e
o baixo conhecimento popular de suas novas
lideranças (Aécio ).
Se Lula se aposentasse, o PT ficaria com Dilma. O
que só seria um problema se o governo estivesse
muito mal (muito mal, mesmo!) . Nada indica que
esse seja o quadro mais provável.
Para o PT, é evidentemente melhor que Lula não
se aposente. E o Brasil não ganharia nada se ele
deixasse a política. Ao contrário, perderia muito.
Ainda bem que, pelo que sabemos, isso não vai
ocorrer tão cedo.