Enquanto no âmbito do rock 'n' roll a maioria dos artistas creditam a
inspiração para se tornar um músico a artistas como Elvis Presley, Chuck
Berry ou Little Richard, Frank Zappa confessava que embora adorasse
r&b e fizesse parte desta geração, sua curiosidade e interesse por ser
compositor e músico nasceu ao ouvir o disco Ionization do compositor
erudito Edgar Varese.
Sempre um menino atirado, chegou a pedir aos pais, como presente de
aniversário, a permissão para fazer uma ligação interurbana para Nova
York para poder conversar com o mestre. Zappa era ainda um
adolescente no científico quando falou com a senhora Varese, Edgar
estando em viagem pela Europa. Frank Zappa acabaria nunca
conhecendo pessoalmente o mestre, mas faria constantes referências a
sua música durante a carreira, tornando celebre a frase "O compositor
moderno se recusa a morrer." pronunciada por Varese em 1921.
Nascido Frank (e não Francis) Vincent Zappa, em Baltimore, no dia 21 de
dezembro de 1940, mas crescendo e vivendo toda sua vida na California,
nos arredores de Los Angeles, Frank Zappa, ainda adolescente, conhece e
faz amizade com Don Vliet. Juntos formam algumas bandas como the
Omens e the Soots, tocando o material r&b de costume. Tocou também
em bandas multirraciais, coisa difícil e inaceitável para a época. Durante
a faculdade, atuou como tocador de bumbo na banda oficial do time de
futebol americano da universidade, até ser expulso por ser pego
fumando com o uniforme da banda. Cigarros e café, por toda sua vida,
se mostraram ser seus dois maiores vícios depois da música.
Após a faculdade, no final da década de 50, casou e investiu seus
talentos em uma firma de cartões para todas as ocasiões, escrevendo
seus dizeres. A frustração do seu meio de vida, acoplado ao
relacionamento insosso dentro do casamento, o leva ao divorcio.
Abandonando as duas frentes, conseguiu através do contato de um ex-
professor, um contrato para compor a trilha sonora para um filme B.
Algumas músicas desta trilha reapareceriam em discos futuros de sua
carreira, como por exemplo, a canção "Duke Of Prunes." Com o dinheiro
de "Run Home Slow", titulo do filme, Zappa compra uma guitarra e um
pequeno estúdio de gravação à beira da falência em Cucamonga, que
batiza de Studio Z. Nele Zappa passaria a morar e trabalhar
exclusivamente com música.
Para se sustentar tocava em diversas bandas de fim de semana, como
também gravava e compunha material para diversos artistas da região,
de menor ou nenhuma expressão. A sua banda mais constante, mesmo
que com uma formação em constante mutação, é The Blackouts, com
quem toca por quase quatro anos.
Um dia ele recebe a incumbência de fazer uma gravação "picante" com
insinuações sexuais, supostamente para alegrar uma festa.Com a ajuda
de uma amiga, que ele apelidou de Suzy Creamcheese, eles fizeram
alguns barulhinhos com um colchão de mola e soltaram gemidos e
risadas e no dia seguinte, entregou a fita para o seu cliente esperando a
recompensa financeira combinada. Acontece que o cliente era um policial
disfarçado e Zappa foi preso em flagrante por confeccionar material
pornográfico. Passou alguns dias na cadeia antes de seu pai chegar de
Baltimore para pagar sua fiança e poder liberá-lo. De positivo, como ex-
detento, Frank Zappa não poderá mais, segundo a lei, ser convocado as
forças armadas, perdendo assim a oportunidade de lutar no Vietnã.
Nesta fase entre 61/62, Zappa começa a compor uma opera rock
chamada "I Was A Teenage Malt Shop", projeto que permaneceria
inacabado. Nesta mesma época, Zappa compra de um estúdio de cinema
diversos cenários futuristas, que montou no Studio Z. Resolveu então
escrever um roteiro para uma ficção cientifica, que depois tentaria
filmar com a ajuda dos amigos. Assim Frank Zappa cria para Don Vliet o
personagem Captain Beefheart, personagem central do filme intitulado
"Captain Beefheart vs. The Grunt People". O termo Beefheart sendo
inspirado no tio de Vliet que curiosamente usava esta expressão para
designar seu próprio membro. Don Vliet assumiria a partir de então o
nome Captain Beefheart para o resto de sua carreira artística.
Ainda em 1962, Zappa recebe um segundo convite para fazer uma trilha
sonora para outro filme, "The World's Greatest Sinner", hoje relegado à
controvertida glória de filme cult. Zappa, morando no estúdio, passa a
ser um maníaco por gravações, se tornando um ás na arte de corte
(com o uso de uma gilete) e edição. Com a ajuda de um técnico, ele
transforma o estúdio em três, e depois cinco canais, se especializando
também na técnica de overdub. Isto, quando a industria sequer tinha
ainda instalado a máquina de quatro canais e a gravação estéreo como
padrão de mercado.
Conhece, se apaixona, e quase de imediato, casa com Gail Zappa, sua
companheira para o resto da vida. Logo ela estaria dando luz à primeira
filha do casal, Moon Unit Zappa. Sempre tendo grande interesse voltado
para som percussivo, arranja uma apresentação musical utilizando uma
bicicleta como instrumento, conseguindo com a curiosidade, uma
aparição no programa de televisão "The Steve Allen Show" em 1963.
No ano seguinte foi convidado pelo amigo Ray Collins a substituir o
antigo guitarrista de sua banda The Soul Giants. A formação incluía Dave
Coronado no sax, o mexicano Roy Estrada no baixo e Jimmy Carl Black,
um autêntico índio Cheyenne, na bateria. Coronado acabaria preferindo
sair da banda uma vez que Zappa convencera todos a tocar suas
composições. Zappa assumiria o controle da banda e mudaria o nome
para the Muthers e depois Mothers. Como golpe publicitário, realizam
um show de inauguração oficial da banda no dia das mães.
Durante sua pior fase financeira, a banda juntava cascos de garrafas,
levantando assim dinheiro para comprar pão e mortadela para ter o que
comer nos ensaios. Justamente nesta fase é que Tom Wilson, produtor
da MGM Records foi convencido a sair do bar Whiskey Au-Go-Go onde
estava, e atravessar a rua para outro bar, ouvir the Mothers, que
naquele exato momento estava tocando uma versão de um número de
r&b, totalmente irrelevante ao material normalmente tocado pela
banda. Wilson, com pressa, ouviu dois minutos e mandou contratar, em
um dos maiores golpes de sorte de uma banda na historias do rock.
A gravadora exige que the Mothers mude de nome pois em inglês, um
Mother (mãe) se referindo a alguém do sexo masculino, é
implicitamente associado ao palavrão Motherfucker. A banda então
aceita a sugestão da gravadora e passa a usar o adendo The Mothers of
Invention (As Mães da Invenção). Gravado no estúdio da MGM e lançado
em 1966 pela sua subsidiaria, a Verve Records, o álbum duplo "Freak
Out!", dá inicio a uma carreira extremamente produtiva, embora na
época poucos especulariam sobre o tempo de duração da banda ou sua
demanda comercial.
O disco une material de doo-wop com música eletroacústica, distribuindo
igualmente sátira e crítica às composições, além de uma complexidade
estrutural, apesar de algumas limitações de sua banda. Canções como
"Go Cry On Somebody Else's Shoulder" e "You're Probably Wondering
Why I'm Here", demonstram bem este aspecto satírico/analítico
enquanto apresentado em formato de rock simples e doo-wop. Outras
peças como "Help! I'm A Rock", "Who Are The Brain Police" e "Return Of
The Son Of Monster Magnet", exigem uma maior aceitação de, como
diria o próprio Frank Zappa, "coisas que não são normais." O disco passa
a ser respeitado como cult na Europa, embora com pouca ou nenhuma
repercussão positiva nos Estados Unidos. Para muitos, Freak Out! é o
primeiro disco conceitual do rock e por pouco não é o primeiro álbum
duplo do rock também.
Seu próximo disco, "Absolutely Free", faria outro marco importante
para sua imagem na Europa como artista intelectual sério. O disco
oferece novamente seu humor ácido e crítico direcionados a América e
sua mentalidade industrial onde rege a quantidade sobre a qualidade,
criticando também o americano comum por aceitar e encorajar esta
postura. Assim, na Europa, tornam-se clássicos do underground canções
como "Plastic People", "Call Any Vegetable", "Brown Shoes Don't Make
It" e "America Drinks And Goes Home."
Seus shows são divertidos e o grosso de seu público passa a ser formado
cada vez mais por uma minoria estudantil americana. Sua persona de
"Mestre de Cerimonias" é bem ao estilo dos anos 50, uma arte ao seu
ver em extinção. Trata sua audiência paternalmente, "Good night boys
and girls", ao mesmo tempo que deixa acesso livre para a plateia
participar do show, subindo no palco e interagindo com a banda em mini
peças teatrais, que compõe boa parte de sua apresentação ao vivo. Sua
capacidade de dominar uma audiência e manter este controle sobre eles,
é impar. Sua música flutua entre doo-wop, free jazz, r&b, música de
câmara e eletroacústica. Suas composições, principalmente suas
partituras percussivas, tem em si grandes doses da influência de Varese.
Aos poucos, além de engraçados e divertidos para o público assistir, seus
shows começam a atrair outros músicos a quererem se afiliar a banda.
Vão entrando e compondo as diversas formações dos Mothers of
Invention músicos desconhecidos como Elliot Ingber, Billy Mundi, os
irmãos Bunk e Buzz Gardner, Don Preston e possivelmente o mais
talentoso destes, Ian Underwood, bacharel em piano e exímio
saxofonista.
Em 1967, aproveitando uma temporada da banda em Nova York, Zappa
assina um contrato com a Columbia Records, gravando uma serie de
composições com a orquestra da gravadora. Zappa alegaria depois que
ele acreditava que seu contrato com a MGM como membro dos Mothers
of Invention, não o impediria de ter outro contrato com outra
gravadora sob seu nome pessoal. Evidentemente que a MGM travou a
fita e uma vez o equívoco fosse resolvido entre as duas gravadoras e o
artista, Zappa usaria este material mixando também material
experimental que inclui conversações, lançando tudo com o curioso nome
de "Lumpy Gravy".
Outro disco marco de sua carreira seria o álbum "We're Only In It For
The Money", um disco analítico da América, mormente da costa oeste,
no ano de 1967. O disco questiona o movimento Flower Power, como
também satiriza o hippie de ocasião e todo o movimento de San
Francisco, então no seu auge. Acusa a tradicional usurpação de idéias
"alternativas" pela industria tornando-as em produtos para consumo de
massa. Esta observação fica clara quando Zappa utiliza o layout do disco
Sgt Pepper's Lonely Hearts Club Band dos Beatles para fazer uma
paródia.
O disco é proibido de ser lançado com a capa original, por estar
infringindo direitos de criação e o processo atrasa em quase um ano o
lançamento. Zappa inverte as capas, utilizando então a capa de dentro
como capa externa e vice versa, conseguindo assim driblar a acusação, e
o disco chega às lojas em 1968.
O ano de 1968 foi em si um ano marcado pela política e lutas estudantis
ao redor do mundo. Na Tchecoslováquia, jovens usariam a canção "Plastic
People", do álbum Absolutely Free, como hino de protesto durante as
manifestações em Praga. Atitudes similares aconteceriam na Polônia. Na
América, a controvérsia da capa de We're Only In It For The Money
como também sua crescente popularidade na Europa, chama a atenção
da crítica americana para a banda; muitos ainda não entendendo o
material. Zappa continua sendo completamente ignorado pela mídia e
grande público, mas respeitado entre ouvidos mais treinados e
exigentes.
Grava então sua ode para o doo-wop, estilo muito popular antes da
Beatlemania, que é o disco "Cruising with Ruben & the Jets".
Paralelamente, posa sentado de calça arreada, sobre uma privada, para
um poster publicitário. Com isto, Frank Zappa passa a ser um nome que
todo mundo ouviu falar mais quase ninguém realmente ouviu. Por
conseguinte, muitas coisas ditas a seu respeito são falsas. Entre as
mentiras mais famosas, existe um de que Frank Zappa havia comida
cocô no palco em um dos seus shows. Ele passaria boa parte de sua vida
negando tal feito.
Durante o período entre 1967 e 1969, Zappa tem aproveitado cada
oportunidade para escrever uma vasta gama de material de música de
câmara. Diferente da maioria dos músicos que conhecemos, Zappa não
compõe utilizando um piano ou violão. Ele compõe música usando apenas
a caneta e o papel. Elas nascem em forma de partituras para depois
algum dia serem efetivamente executadas por músicos.
Zappa organiza então este material mais recente, arranjando-o para
uma trilha sonora, e aproveita para escrever o roteiro para um filme de
monstro, tipicamente B (tão comum após a Segunda Guerra) que ele
batiza de "Uncle Meat". Sem conseguir os devidos fundos, apenas parte
do material musical seria lançado em seu álbum duplo, "Uncle Meat" de
1969. Levaria outros dois anos para conseguir colocar a maior parte da
trilha, desta vez em outro filme escrito por ele, já com outro roteiro e
concepção, agora chamado, "200 Motels" (1971).
Entre 1968 e 1969, a MGM/Verve andava mal das pernas, e Zappa
funda sua própria gravadora, a Bizarre Records. Paralelamente vários
membros dos Mothers of Invention são substituídos. Zappa e Ian
Underwood gravam então um dos discos mais queridos de sua
discografia: "Hot Rats". Nele há a participação de um jovem violonista
francês chamado Jean Luc Ponty. Frank Zappa, ainda viria a produzir o
primeiro disco de Ponty, intitulado "King Kong", com Ponty interpretando
composições do próprio Zappa, várias ainda inéditas até então.
"Hot Rats" também oferece a colaboração de Captain Beefheart e traz
à tona o violonista Sugar Cane Harris, tocando violino elétrico pela
primeira vez. Harris voltaria a participar de seu próximo e ultimo disco
com os Mothers of Invention, "Burnt Weeny Sandwich".
Zappa também contrata para a Bizzare Records uma banda com um
nome único, Alice Cooper, os aconselhando apenas a mudar de visual,
então excessivamente normal. Entre outras bandas a fazerem parte do
novo selo, sendo gravados, produzidos ou orientados por Frank Zappa,
estão Tim Buckley, Captain Beefheart & His Magic Band, a dupla Judy
Henske & Jerry Yester (ex- Lovin' Spoonful), Tim Dawn, Wild Man Fisher
e The GTO's. Nem todos marcaram a indústria.
Em 1970, a banda Mothers of Invention seria desfeita para retornar
alguns meses depois com outra formação, agora sendo tratados apenas
como the Mothers. Neste período de transição Zappa lança "Weasels
Ripped My Flesh", uma coletânea de material ainda inédito de várias
fases da banda. Da ultima formação dos Mothers, permanecem Ian
Underwood e Don Preston. Zappa encontra e contrata Jeff Simmons
para o baixo, e um pianista achado em um barzinho de Los Angeles,
chamado George Duke. Duke iria depois seguir uma carreira de muito
sucesso na década de setenta, mormente seus trabalhos com Stanley
Clark. Soma-se então ao grupo a dupla de vocalista da banda the
Turtles, Mark Volman e Howard Kaylan, como também o ex-baterista do
John Mayall's Bluesbreakers, Ansley Dunbar.
Por limitações financeiras Zappa é obrigado a vender a Bizarre Records
e todo o seu catalogo para a Warner Brothers, que mantém o selo da
Bizarre apenas para os discos dos Mothers, agora Bizarre/Reprise. Os
demais artistas que permaneceram com a Warner foram repassados
para sua subsidiaria Reprise Records. Musicalmente, o período entre
1970 e 1972 encontraria Zappa fazendo um maior uso de piadas
picantes e contando longas histórias com intervenções musicais e trilha
sonora, aproveitando bem a força de locução da dupla Volman e Kaylan,
que passam a ser apelidados de Flo & Eddie. Sua intenção é de tentar
fazer suas composições mais complexas, um pouco mais acessíveis para
um público jovem e pouco intelectualizado. Deste período, Zappa lança
"Mothers Live Fillmore East: June 1971", "200 Motels" (The Mothers + A
Orquestra Filarmônica de Londres) e "Just Another Band From L.A.".
Durante a sua excursão Européia no final do ano, a má sorte lhe causa
inúmeros prejuízos. Primeiro, em Montreux, um incêndio causado por
alguém da plateia soltando um rojão, queima o teatro onde a banda
estava tocando, causando a perda de todo o teatro e, evidentemente,
do equipamento da banda que lá estava. Este incidente ficaria famoso
nos versos da música "Smoke On The Water" da banda Deep Purple.
Tiveram que alugar equipamentos para o restante da excursão. Pouco
depois, durante outra apresentação, alguém cismado que a namorada
estava mais interessada em Zappa, consegue subir no palco. O rapaz se
aproxima de Zappa enquanto este estava concentrado em meio a um
solo de guitarra, e empurra o músico para dentro do fosso da orquestra.
Pego de surpresa, Zappa cai de mau jeito, sobre o pescoço (o que
mudaria sua voz para uma região mais grave) e quebra a perna, tendo
que ser hospitalizado. O restante da excursão foi cancelada e a banda
desintegrou.
Zappa então passa a escrever incessantemente material orquestral.
Monta uma banda com um naipe colossal de sopros, reunindo os
melhores músicos de estúdio de Los Angeles, e faz uma pequena série de
apresentações pelos Estados Unidos. Apesar do prazer profissional, o
capricho estava saindo demasiadamente caro para manter e a banda
teve que ser desfeita. Apenas um número menor de músicos foram
mantidos. Deste período, Zappa grava e lança os discos "Waka Jawaka" e
"The Grand Wazoo".
A partir de 1973, Zappa já não é mais visto pela critica especializada
como um aloprado e sim como um músico sério, mesmo que excêntrico.
Sua fama de carrasco se espalha, obrigando seus músicos a estudar e
estudar e estudar, para conseguir executar material de alto nível de
dificuldade. Para isto, antes de levar uma banda para a estrada, Zappa
passa dois meses ensaiando seis dias por semana, com um mínimo de
seis horas, chegando as vezes a dez horas por dia. Quem não se
enquadra é despedido. Outra curiosidade em relação a sua fama de
organizador é que nenhum músico pode subir no palco intoxicado. Zappa
é claro quando diz que não se interessa pelo comportamento de
ninguém na vida particular, mas a sua música já é difícil o suficiente
estando sóbrio. Quem for pego "doidão" antes de entrar em cena é
sumariamente despedido, seja ensaio ou show.
Ele enterra de vez seu selo Bizarre e lança seus discos agora sob o selo
DiscReet/Straight Records, sua filial dentro da Warner Brothers. Reúne o
melhor de suas bandas anteriores como o casal Ian e Ruth Underwood,
George Duke, Jean-Luc Ponty e Sal Marquez. Também traz novos
membros: Ralph Humphrey e os irmãos Bruce e Tom Fowler. O resultado
é um dos seus discos mais populares entre o público jovem de 1973,
chamado apropriadamente de "Over Nite Sensation". Canções como
"Dinah-Moe Hum", "Montana" e "Camarillo Brillo" serão preferidas entre
as rádios universitárias e rádios FM da época.
Zappa segue compondo material cada vez mais jazzista e que desafia
cada vez mais os músicos de sua banda. Entre 1973 e 1975 além dos já
mencionados, ele tocaria com Jack Bruce, Jim Gordon, Jeff Simmons,
Napolean Murphey Brock, Chester Thompson, Don Preston, Tony Duran,
Sugar Cane Harris, Walt Fowler, Denny Walley e o velho bluseiro, Johnny
'Guitar' Watson. Os discos "Aposterphe(')", "Roxy And Elsewhere" e "One
Size Fits All" lhe rendem respeito igualmente dentro da comunidade
jazzista e roqueira.
Em 1976, Zappa, desanimado com seu contrato com a Warner, é
informado que está devendo seis álbuns antes de poder considerar seus
compromissos com a gravadora como concluídos. Ele desmonta sua
banda, nunca mais usando o nome Mothers. Passa praticamente o ano
no estúdio e quando excursiona, o faz com um pequeno quarteto, que
inclui Terry Bozzio, Napoleon Murphey Brock, Roy Estrada e André Lewis.
No estúdio, grava e produz uma serie de composições que engloba desde
o âmbito mais jazzista até o puro orquestral. Entre estas gravações,
também monta rapidamente um disco onde toca praticamente todos os
instrumentos. O disco, chamado "Zoot Allures", teria na capa, a
formação de sua próxima banda.
Com Terry Bozzio na bateria, Patrick O'Hearn no baixo e Eddie Jobson
nos teclados, somados ao cantor Ray White, a percussionista Ruth
Underwood, e mais o naipe de sopros do SNL, Zappa passa a semana de
Natal e Ano Novo tocando em Nova York, rendendo inclusive uma
passagem no prestigioso programa Saturday Night Live.
Zappa monta então para 1977 uma caixa de cinco discos chamado
"Läther" e o entrega para a Warner, considerando assim, seu contrato
com a gravadora devidamente encerrado. Ele pede então a devolução
de todos os rolos de fita masters de todos o seu catalogo de discos. A
Warner porém recusa-se a lançar a caixa, considerando o formato
excessivamente anti-comercial. A gravadora também informa ao artista
que todo seu catalogo pertence à gravadora e não a ele. Dá-se inicio a
uma disputa judicial entre Frank Zappa e a Warner Brothers que só
seria vencido pelo artista em 1979. Neste interim a Warner lança aos
pingos boa parte do material contido em Läther em quatro álbuns
separados. São eles, "Zappa In New York" (2LP), "Sleep Dirt", "Studio
Tan" e "Orchestral Favorites".
Zappa excursiona durante os anos de 1977 e 1978 com o que muitos
consideram sua banda mais pesada. Além dos já citados Terry Bozzio e
Patrick O'Hearn, estão Ed Mann nas percussões; uma dupla de
tecladistas, o austríaco Peter Wolf e o nicaragüense Tommy Mars; Roy
Estrada nos vocais e por último, um guitarrista que Zappa encontrou em
um barzinho de quinta categoria perdido no Texas. O rapaz é ninguém
menos do que Adrian Belew.
Enquanto seu processo com a Warner corre, ele monta sua própria
gravadora, a Zappa Records. Sua gravadora fecha contrato de
distribuição com a CBS Records e tem como seu primeiro produto no
mercado o álbum "Sheik Yerbouti", seguido pelos dois LP's "Joe's Garage
- Act I" e "Joe's Garage Act II & III", com um elenco que inclui o
guitarrista novato Warren Cucurullo, o baterista Vinnie Colaiuta, o
baixista Arthur Barrow e o vocalista Ike Willis. Zappa, em dezembro,
terminaria o ano lançando o filme "Baby Snakes", que mostra os
melhores momentos de sua já tradicional temporada de Halloween em
Nova York do ano anterior.
Uma vez ganha a disputa judicial com a Warner Brothers, Zappa retoma
posse de todas as fitas mestres do seus discos anteriores. Investe seu
dinheiro em um pequeno complexo de estúdios batizado curiosamente
de The Utility Muffin Research Kitchen e seu estúdio No.1 de Joe's
Garage. O complexo inclui também um escritório que cuida de
mercadoria a ser vendida para o público via correspondência. Este setor
de sua empresa é, em si, uma empresa à parte, chamada Barfko Swill,
dirigida e comandada por Gail Zappa, sua esposa. Zappa encosta a Zappa
Records e seu contrato deficitário com a CBS e cria outro selo, o
Barking Pumkin Records.
Lança então três LP's só de solos de guitarras, pensando em um público
específico de guitarristas, e possivelmente outros estudantes de música.
FZ não crê, a princípio, que vá ter uma grande procura. Engano seu.
Estes discos não são encontrados em lojas, sendo adquiridos nos Estados
Unidos apenas através de correspondência. São eles "Shut Up N' Play
Yer Guitar", "Shut Up N' Play Yer Guitar Some More" e "The Return Of
The Son Of Shut Up N' Play Yer Guitar". Para a Europa, ele permite o
lançamento em lojas dos três discos em formato de caixa tripla. Este
formato se mostra extremamente popular e começaria a ser importado
para os Estados Unidos.
Assim sendo, em 1981 Zappa lança a caixa tripla também na América no
mesmo dia que seu mais novo álbum duplo, "Tinseltown Rebellion" de
gravações ao vivo realizadas no inicio do ano. A banda basicamente é a
mesma, porém com duas modificações e duas adições. A soma de mais
um tecladista, Bob Harris que já tocara com Zappa em 1971 e 1972,
além da volta do cantor Ray White; na bateria, o estreante David
Logemann e na guitarra, um rapaz recém saído da faculdade chamado
Steve Vai que continuaria com Zappa até 1984 seguindo então para
fama mundial como um dos mais hábeis guitarristas vivos.
Ainda em 1981, Zappa lançaria outro álbum duplo de material de estúdio
chamado "You Are What You Is". A temática do disco seguiria com
pesadas críticas à proliferação de programas televisivos regidos por
pastores evangelistas. Zappa questiona abertamente as fortunas que
estas igrejas repentinas levantam, sem precisarem pagar impostos.
Canções que abrangem estes temas são "The Meek Shall Inherit
Nothing" (O Humilde Não Herdará Nada) e "Heavenly Bank
Account" (Sagrada Conta Bancaria).
Outro assunto que passaria a freqüentar este e os próximos discos do
Zappa é o uso excessivo de cocaína pela sociedade moderna. A canção
"You Are What You Is" teria seu video clip banido pela MTV por mostrar
um sósia do então presidente Ronald Reagan sentando na cadeira
elétrica e sendo executado por um negro. Reagan, como alguns já devem
ter esquecido, enquanto governador da California no final da década de
sessenta, foi acusado de ter pertencido quando jovem, ao grupo racista
conhecido como Klu Klux Klan.
Em 1982, Zappa conheceria seu primeiro Top 10 hit com a canção "Valley
Girl". A canção basicamente consiste em uma bateria (Chad
Wackerman), um baixo (Scott Thunes) e a voz de sua filha Moon Unit
Zappa recitando uma história sobre uma adolescente da região do San
Fernando Valley. A intonação típica da região é na voz de Moon
ironizada, ela criando no processo, alguns termos que se tornarão gíria
em todo o país, graças ao sucesso da canção. O estilo "Geração Valley"
seria tão popular, que até hoje é imitada por personagens adolescentes
como no filme "As Patricinhas" ou o desenho "South Park".
A imprensa começa a tratá-lo como gênio incompreendido. Sua vitória
contra a poderosa gravadora Warner Brothers em 1979 lhe dá mais
respeito entre uma maior gama de artistas. Com o seu vasto catálogo
de discos, suas bandas, um celeiro de talentos, e agora dono de sua
própria empresa, o termo sucesso é constantemente aplicado para
definí-lo. Nunca Frank Zappa esteve tão respeitado pela critica
especializada, e, assim sendo, passa a freqüentar as capas das melhores
revistas sobre música do mundo.
Zappa segue o restante da primeira metade da década de 1980
excursionando e produzindo discos de complexidade musical e relativa
variedade temática. Destes, possivelmente o melhor seja o "Them Or
Us", primeiro a conter uma participação de seu filho, Dweezil Zappa.
Em destaque fica também o disco "LSO Vol.1", disco lançado pelo selo
Zappa Records que contém a Orquestra Sinfônica de Londres tocando
material inédito do compositor. O Vol.2 sairia em 1987. Agora com um
contrato de distribuição com a EMI, o selo arranja para que Zappa
trabalhe com Pierre Boulez, resultando no LP "A Perfect Stranger".
Zappa também investe no ramo de vídeos, abrindo sua firma Honker
Videos, o logo sendo o formato de seu nariz protuberante. Com a
Honker, Zappa passa a controlar lançamentos de suas apresentações,
como também relançamentos de seus primeiros filmes. Entram assim no
mercado sete títulos diferentes, de material antigo embora inédito,
como "Uncle Meat", até coisas mais recentes como "Does Humour
Belong In Music?" que contém uma parte da apresentação de sua banda
em Nova York em 1984.
Para aumentar ainda mais a variedade de gêneros e estilos na sua
discografia, Frank Zappa descobre a existência de um músico italiano
barroco chamado Francesco Zappa. Sua pesquisa o leva a encontrar uma
série de partituras deste obscuro músico e a coincidência do nome o leva
a gravar este material, utilizando um instrumento recém lançado no
mercado, o Synclavier.
Com uma ação levantada por um grupo de senhoras, esposas de
senadores, que vão ao congresso pedir que se estude uma maneira
eficaz de censura para músicas consideradas obscenas, Frank Zappa é
um dos primeiros a gritar contra. Ele faz campanha defendendo a
primeira emenda da constituição que declara a liberdade de expressão.
O processo segue durante o curso do ano de 1986 e acaba com uma
legislação que não censura o material artístico a ser lançado, mas cria a
obrigação por parte das gravadoras, a terem que colocar um adesivo
avisando que o material contido na obra pode ter linguagem considerada
agressiva para o consumidor.
Em meio a este debate público na América, Zappa lança o disco "Frank
Zappa Meets The Mothers Of Prevention", que explora o assunto com o
tema "Porn Wars". O material mistura composições no Synclavier com
algumas com banda "viva". Ciente do nível de dificuldade de suas
composições e a dedicação exigida para músicos poderem executá-las
corretamente, Zappa vê no Synclavier sua chance para conquistar uma
liberdade como compositor. Agora ele não é mais limitado a escrever
música que seja humanamente possível tocar. A máquina pode executar
a canção em tempos humanamente impossíveis se ele puder escrever
para isso. Zappa então declara para o espanto de muitos, sua intenção
de abandonar a guitarra e não mais excursionar com banda, se
dedicando exclusivamente a composições com o Synclavier. O primeiro
de tais trabalhos é o disco "Jazz From Hell" que receberia seu primeiro e
único Grammy.
O ano de 1987 é dedicado ao relançamento em vinil de todo seu antigo
catalogo da Verve e Bizarre, agora pelo selo Barking Pumpkin, no que
foi chamado de "The Old Masters Box 1, 2 e 3". Ele aproveita para
lançar uma fita cassete para uma edição especial da revista Guitar
World recheada de solos ainda inéditos, chamada "The Guitar World
According To Frank Zappa".
Curiosamente em 1988 ele volta atrás e resolve excursionar
novamente. Monta uma banda contendo uma grande quantidade de
sopros, recurso ausente em suas bandas desde 1976 e excursiona
Europa. Durante a metade da excursão americana dores obrigam ao
cancelamento do tour. Levaria outros quatro anos até ele se pronunciar
publicamente como tendo câncer na próstata. Um dos primeiros a
defender a mudança do mercado para gravação digital, fecharia
negócios com a Rycodisc que passaria a lançar todo o seu catalogo em
CD. Zappa passaria então a se dedicar a editar e mixar um vasto
material guardado em seu cofre. Este material seria periodicamente
lançado como a série "You Can't Do That On Stage Anymore", tendo o
volume 6 sua última edição.
Ainda em 1988 lançaria o álbum duplo chamado simplesmente de
"Guitars", novamente como no projeto "Shut Up N' Play Yer Guitar",
contendo somente solos. Tira o ano para se candidatar à presidência dos
Estados Unidos. Em seu discurso oficial para candidatura ele declara,
"Não conseguiria ser pior do que os que já passaram por lá". Seu último
lançamento em vinil foi o álbum duplo ao vivo, "Broadway The Hard
Way", onde a temática continua a debochar das relações de interesse
mútuo entre políticos e pastores evangélicos.
Em 1989 lança sua biografia, "The Reel Frank Zappa Book", como
também fecha contrato com a Rhino Records para lançar oficialmente
todo material incluídos nos seus piratas mais populares. Tática sem
precedente, a intenção é obviamente vencer o mercado da pirataria
lançando o mesmo material oficialmente e assim, passar a lucrar com
estes discos que há anos circulam no mercado. Assim nasce a serie "Beat
The Boot! Vol. 1 & 2".
Na década de noventa, Zappa lança o material da sua última excursão
em dois CD's duplos, chamados The Best Band You Never Heard In Your
Life e Make A Jazz Noise Here. Outros CD's, todos duplos, exploram
fases mais antigas de sua carreira, como Playground Psychotic, contendo
a fase com a dupla Mark Volman e Howard Kaylan, como também Ahead
Of Their Time, oferecendo uma apresentação do Mothers of Invention
no Albert Hall em 1968.
Seu último disco vivo foi o CD de música de câmara, The Yellow Shark,
realizado graças ao grupo alemão chamado The Ensemble Modern. Zappa
que já tinha praticamente desistido de gravar um trabalho mais erudito,
dado a dificuldade em conseguir uma grande quantidade de músicos a
estudar obsessivamente as partituras e os fundos que estes ensaios,
nem sempre produtivos custam, teve com o Ensemble Modern, a grata
surpresa e prazer de encontrar um grupo de músicos totalmente
dedicados a sua música.
O material estreou em 1992, durante uma feira cultural em Berlim, na
Alemanha, onde Frank Zappa assistiu a primeira de uma serie de
apresentações. Se sentindo mal, voltou imediatamente para California.
Lá, ele editou, mixou e lançou o disco.
Frank Zappa veio a falecer pouco depois, no dia 4 de dezembro de 1993
em sua residência em Canoga Park, Califórnia. Ele deixa uma viuva, Gail
Zappa e quatro filhos, Moon Unit, Dweezil, Ahmit e Diva Zappa. Deixa
também quase prontos dois álbuns. O primeiro foi lançado no primeiro
aniversário de morte, chamando-se Civilization - Phase III, uma espécie
de seqüência de Lumpy Gravy, utilizando gravações de falas e temas
tocado no Synclavier. Depois, seria lançado pela família Lost Episodes,
oferecendo material gravados entre 1962 e 1969.
A família Zappa funda The Zappa Family Trust que cuida de todo o
espólio do artista e periodicamente lança um CD novo. Geralmente o
material consiste em coletâneas ocasionalmente oferecendo algumas
faixas com versões alternativas para poder também atrair o interesse
do fã fervoroso. Para estes, as opções mais interessantes são os CD's
Mystery Disc e Cucamonga, totalmente dedicados a oferecer gravações
obscuras do artista.
Em 11 de Maio de 1980, foi descoberto pelo astrônomo tcheco, L.
Brozek, um pequeno planeta entre Marte e Jupiter. O planeta tem um
curso elíptico que dura aproximadamente quatro anos e oito meses, em
tempo terreno, para dar uma volta completa pelo sol. A ele foi dado o
número oficial de 3834. Surgiu então a idéia de um professor italianos a
batizar a pedra sideral com um nome que homenageia Frank Zappa.
Depois de um ano de campanha, e esforços combinados, que incluiram
correspondência maciça pela internet por parte de fãs, como também
uma carta de bons votos do Diretor de Política Externa da
Tchecoslováquia Dr. Pavel Seifter, escrito em nome do chefe de estado
daquela nação, Presidente Vaclav Havel, e do oportuno apoio de Dr.
Brain Marsden do Minor Planet Center (Centro de Planetas Menores),
uma ramificação do Smithsonian Astrophysical Observatory
(Observatório Smithsonian de Astrofísica), que levou a proposta para a
instituição competente, a International Astronomical Union (União
Astronômica Internacional). Foi oficialmente homologado o nome do
planeta para (3834) Zappafrank no dia 22 de Julho de 1994.
Com a noticia de que Frank Zappa havia se tornado nome de um
pequeno planeta dentro do nosso sistema solar, outro professor, Dr. Bob
Belas, assistente no Sensory Transduction Center of Marine
Biotechnology, que faz parte do Instituto de Biotecnologia da
Universidade de Maryland, situado em Baltimore, cidade onde Frank
Zappa havia nascido, identificou um gen dentro de uma bacteria Proteus
que libera uma enzima "IgA Protease." Esta enzima está sendo extra
oficialmente batizada de zapA. Faltam ainda os trâmites legais para o
nome ser oficial. Tendo agora um planeta homenageando Frank Zappa,
conhecendo o seu senso de humor tão especial, podemos procurar um
novo significado em seus dois títulos, "Cosmic Debris" (74) e "Help!, I'm A
Rock" (66).
Discografia
Freak Out! (Mothers of Invention, 1966)
Absolutely Free (Mothers of Invention, 1967)
Lumpy Gravy (1967)
We're Only In It For The Money (Mothers of Invention, 1968)
Cruising With Ruben And The Jets (Mothers of Invention, 1968)
Uncle Meat (Mothers of Invention, 1969)
Hot Rats (1969)
Burnt Weeny Sandwich (Mothers of Invention, 1969)
Jean Luc Ponty Plays King Kong (1969)
Weasels Ripped My Flesh (Mothers of Invention, 1970)
Chunga's Revenge (1970)
Fillmore East, June 1971 (Mothers, 1971)
200 Motels (Mothers/London Philharmonic Orchestra 1971)
Just Another Band From L.A. (Mothers, 1972)
Waka/Jawaka (1972)
The Grand Wazoo (1972)
Over-Nite Sensation (Zappa/Mothers, 1973)
Apostrophe(') (1974)
Roxy And Elsewhere (Zappa/Mothers, 1974)
One Size Fits All (Zappa/Mothers, 1975)
Bongo Fury (Mothers/Captain Beefheart, 1975)
Zoot Allures (1976)
Zappa In New York (1978)
Studio Tan (1978)
Sleep Dirt (1979)
Sheik Yerbouti (1979)
Orchestral Favorites (1979)
Joe's Garage, Act 1 (1979)
Joe's Garage, Acts 2 & 3 (1979)
Tinseltown Rebellion (1981)
Shut Up N' Play Yer Guitar (1981)
You Are What You Is (1981)
Ship Arriving Too Late To Save A Drowning Witch(1982)
The Man From Utopia (1983)
Baby Snakes (1983)
London Symphony Orchestra, Vol 1 (1983)
Pierre Boulez Plays The Perfect Stranger (1984)
Them Or Us (1984)
Thing-Fish (1984)
Francesco Zappa (1984)
Serious Music Performed by The Berkeley Symphony Orchestra (1984)
Frank Zappa Meets The Mothers Of Prevention (1985)
Does Humor Belong In Music? (1986)
Jazz From Hell (1986)
London Symphony Orchestra, Vol. 2 (1987)
Guitar (1988)
You Can't Do That On Stage Anymore, Sampler (1988)
You Can't Do That On Stage Anymore, Vol. 1 (1988)
You Can't Do That On Stage Anymore, Vol. 2 (1988)
Broadway The Hard Way (1988)
You Can't Do That On Stage Anymore, Vol. 3 (1989)
The Best Band You Never Heard In Your Life (1991)
You Can't Do That On Stage Anymore, Vol. 4 (1991)
Make A Jazz Noise Here (1991)
Beat The Boots Vol. 1 (7 Cds, 1991)
Beat The Boots Vol. 2 (7 Cds, 1992)
You Can't Do That On Stage Anymore, Vol. 5 (1992)
You Can't Do That On Stage Anymore, Vol. 6 (1992)
Playground Psychotics (Mothers, 1992)
You Can't Do That on Stage Anymore, Vol. 6 (1992)
Ahead of Their Time (Mothers of Invention, 1993)
The Yellow Shark (1993)
Civilization Phaze III (1995)
Läther (1996)
Lost Episodes (1996)
Mystery Disc (1998)
Cucamonga (1998)
Everythings Is Healing Nicely (2001)
Coletâneas
Mothermania: The Best of The Mothers (1969)
The Worst of The Mothers (1970)
Pregnant (1970)
Strictly Commercial: The Best of Frank Zappa (1995)
Frank Zappa Plays the Music of Frank Zappa: A Memorial Tribute (1996)
Strictly Genteel: A Classical Introduction to Frank Zappa (1997)
Have I Offended Someone? (1997)
Cheap Thrills (1998)
Son of Cheap Thrills (1999)
The Dangerous Kitchen (1999)
Beat The Boot! Vol. 1
As an Am Zappa (Palladium, NYC; 31/10/81)
Trick or Treat (68)
Freaks & Motherfu*%!!@ (Fillmore East, NYC; 70)
Piquantique (Estocolmo, Suécia; 21/8/73)
Saarbrucken 1979 (Saarbrucken, Alemanha; 3/9/79)
The Ark (Boston; 3/68)
Tis the Season to Be Jelly (Suécia; 67)
Unmitigated Audacity (Notre Dame University; 21/4/74)
Any Way the Wind Blows (Paris, França; 24/2/79)
Beat the Boots!, Vol. 2
At the Circus (Munich, Alemanha; 1/7/78)
Conceptual Continuity (Detroit;19/1/79)
Disconnected Synapses (70)
Electric Aunt Jemima (68)
Our Man in Nirvana (8/11/68)
Swiss Cheese/Fire (Montreux, Suiça; 4/12/71)